Aldeias Históricas de Portugal

Aldeias

AH Monsanto – AH Sortelha

Monsanto, Sortelha

78.78 km

Monsanto

7:00

Lugares de passagem: Aldeia João Pires, Penamacor, Meimoa, Barragem da Meimoa, Meimão, Urgueira.

Saindo de Monsanto pela porta poente, o percurso desce pela calçada romana coincidente com a GR12-E7 para se separar desta pouco depois, fletindo para noroeste. Cruza a EN332, passa a ribeira e volta-se para nordeste em direção à Aldeia de João Pires, terra de singela beleza e casario pitoresco, onde segue à direita para norte, passando ao largo de Aldeia do Bispo. Continua por belo trilho panorâmico, deixando para trás o mundo do granito e entrando na paisagem de formação xistosa. Desvia para poente e encontra a EN233, que acompanha à direita, até a cruzar por túnel para se aproximar e dar entrada em Penamacor. Continuando em direção a norte, o troço sobe e acompanha a cumeada do parque eólico, fazendo uma longa travessia por matas de produção dominadas por Pinheiro-bravo e Eucalipto. Em Meimoa, aldeia de boas tradições gastronómicas, atravessa a ribeira pela ponte antiga, local onde se situa a aprazível praia fluvial. Acompanhando de perto o curso da ribeira da Meimoa, a etapa continua para norte ao longo de uma paisagem rural, com pouco relevo, onde predomina o olival. Chega, por fim, ao paredão da barragem da Meimoa. A etapa atravessa o paredão da barragem e segue por um caminho de terra batida que entra na Reserva Natural da Serra da Malcata. Contorna a albufeira pelo lado sul até atingir o extremo este e dirige-se à localidade de Meimão, numa paisagem dominada pelo pinhal. Continua depois a subir até à cumeada do parque eólico e Alagoas. Passa ainda por Aldeia de Santo António e logo depois chega a Urgueira, junto ao ponto de junção com as etapas de ligação ao Sabugal e a Sortelha. A partir deste ponto de junção, continua para a esquerda, atravessando a aldeia, saindo pela rua do Pinheiro e continuando até virar a sudoeste no sentido da Ribeira da Nave. Após passar a ribeira, inicia-se a subida até próximo dos 800 metros, descendo-se depois ligeiramente para dar entrada na Aldeia Histórica de Sortelha pela Devesa.

Fauna e Flora

_MONSANTO_ No entorno deste particular Monte-Ilha encontramos uma zona plana onde predominam as zonas de pasto com gramíneas espontâneas, mantendo-se alguns núcleos de sobro e de carvalho-negral e onde podemos observar a cotovia-do-monte, o gaio, o estorninho-preto, o cartaxo-comum ou o pardal-francês. Durante a época invernal, mantêm-se junto da povoação o rabirruivo-preto e a andorinha-das-rochas. Junto à Sr.ª da Azenha, ainda na zona granítica, ocorrem a cotovia-pequena e o chapim-carvoeiro. Mais à frente, mudando para território xistoso e à medida que nos aproximamos do rio Pônsul, podemos ser surpreendidos por um borrelho-pequeno-de-coleira. Adiante entramos numa típica paisagem de montado, onde surge o peneireiro-cinzento, o pisco-de-peito-ruivo e o estorninho entre outros. _PENAMACOR_ À diversidade geomorfológica corresponde uma diversidade e riqueza paisagística ímpar. O concelho integra o Geopark Naturtejo da Meseta Meridional e mais de 2/3 da Reserva Natural da Serra da Malcata inscreve-se no seu território, consequência de um interessante património geológico e de um conjunto de valores em torno da biodiversidade, onde o lince ibérico pontificou até há não muito tempo e cujo regresso se prepara. O vasto horizonte é emoldurado pelos relevos de Monsanto, Serras de Penha Garcia, Malcata, Gardunha e Estrela. No centro de tudo isto, a vila de Penamacor eleva-se como um extraordinário miradouro. Planície e montanha encontram-se aqui, gerando espaço, luz, calor e frescura. _BARRAGEM DA MEIMOA_ A albufeira da Barragem da Meimoa é um excelente local para observar algumas espécies de aves que fazem da água o seu habitat. O Mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus), o Pato-real (Anas platyrhynchos) e a Garça-real (Ardea cinerea) são as espécies mais habituais. Mas, por vezes, é possível observar a rara Cegonha-preta (Ciconia nigra). A sua componente florestal encontra-se sobretudo formada por uma mancha contínua de Pinheiro-bravo (Pinus pinaster). Contudo, na vertente sul da albufeira ainda é possível observar núcleos de Carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e, sobretudo, uma significativa mancha de medronheiros (Arbutus unedo) de porte arbóreo. Esta planta, habitualmente na forma de arbusto, pertence à família das urzes, sendo muito valorizada pelo seu fruto, o medronho, quer para consumo em fresco, quer para a produção da aguardente de medronho. _URGUEIRA_ Mosaico composto por prados delimitados por muros e linhas de carvalhos-negrais. Prados utilizados para apascentar o gado, mas que albergam uma interessante variedade faunística. Diferentes espécies de borboletas, como a Pandora (Argynnis pandora), a Grande-castanha-com-bandas (Brintesia circe) e a Borboleta-carnaval (Zerynthia rumina) são apenas algumas que emprestam um colorido dinâmico aos prados verdes. Bandos de pegas-azuis (Cyanopica cooki) vão percorrendo os campos de forma ruidosa e os estorninhos-pretos (Sturnus unicolor) passeiam pelo chão, atrás do gado e dos insetos que estes assustam. Entretanto, o Rabirruivo-preto (Phoenicuros ochruros) vai deambulando pelos telhados e quintais da aldeia. Aqui também se encontram alguns castanheiros centenários, alguns deles já mortos, mas ainda transmitindo respeito pela sua dimensão. _SORTELHA_ Sendo a AH Sortelha uma área essencialmente granítica, a passagem pela aldeia de Santo António, por ser uma zona xistosa, corresponde a uma clara alteração de paisagem. Aqui existe uma significativa mancha de Carvalho-negral onde ocorre a felosa-de-bonelli e onde surgem, com maior frequência, castanheiros e urzes. A diversidade de avifauna surge associada à diversidade de habitats, pelo que associadas aos povoamentos florestais surgem espécies como o gaio ou o peto-verde. Das espécies arbustivas existentes salientamos o lentisco-bastardo, o pilriteiro, a carqueja e a erva-das-sete-sangrias.