Aldeias Históricas de Portugal

Aldeias

AH Piódão – AH Castelo Novo

Castelo Novo, Piódão

82.26 km

Piódão

27:40

Lugares de passagem: S. Jorge da Beira, Aradas, Unhais o Velho, Portela de Unhais, Póvoa da Raposeira, Dornelas do Zêzere, Partida, S. Vicente da Beira, Casal da Serra.

::ALERTA:: Sector de ligação da GR22 condicionado devido a um incêndio de grandes dimensões que lavra junto a este troço. Atualizado a 30/07/2020 às 9:50 horas. __________ Esta é uma etapa fisicamente exigente, mas o esforço é compensado pelas magníficas panorâmicas que oferecem os pontos de maior altitude da Serra do Açor. A subida é difícil até ser atingido o vértice geodésico em São Pedro do Açor. A GR22 desenvolve-se ao longo da cumeada de maiores altitudes desta serra, contorna a cabeceira da bacia hidrográfica do rio Ceira e inicia a subida até ao ponto de maior altitude desta serra: o Pico de Cebola. Vistas magníficas, a 360º. A GR22 continua na linha de cumeada, descendo. Para sul evidenciam-se as escombreiras que denunciam as Minas da Panasqueira. Abandona a cumeada para descer a encosta até São Jorge da Beira. A partir desta aldeia, o percurso sobe pela EM512 e, já no alto, sai da estrada para sul, seguindo em terra batida até ao vale de Unhais-o-Velho, descendo-o para depois subir até à Portela de Unhais. Deste ponto, rapidamente desce à Póvoa da Raposeira para acompanhar uma ribeira afluente do Zêzere. Após um pequeno troço em asfalto, segue à esquerda por entre área florestal para descer ao encontro de Dornelas, com a sua praia fluvial e Museu Etnográfico. Atravessa o rio Zêzere, entrando em Alqueidão, já no distrito de Castelo Branco. Após esta localidade, o percurso dirige-se para nascente, subindo até cruzar a EN238, descendo depois até ao vale das Bogas para dar entrada em Bogas de Cima. Percurso de alguma exigência, inicia-se para sul, acompanhando a ribeira de Bogas até próximo da Malhada Velha, onde a atravessa, passando depois a norte da aldeia do Descoberto. Sobe a encosta em direção ao parque eólico, atingindo cerca de 900 m de altitude. Do topo obtêm-se vistas inspiradoras a 360º. Começa então a descida à direita até à aldeia de Ribeira de Eiras, onde entra no asfalto e cruza o rio Tripeiro. A seguir, desvia para um caminho à esquerda, subindo uma vasta área de pinhal, passando o vértice geodésico da Bafareira e descendo até encontrar a EM525 e chegar à aldeia de Partida. Após sair desta localidade, e durante a sua primeira parte, a etapa aproveita troços da EM525, desce ao vale da ribeira da Partida e segue por caminho até Pereiros. Daqui, sobe até à EN353 por entre zonas florestais, volta à direita e, mais abaixo, alcança a EM525 (à direita), que percorre até infletir à esquerda em direção a São Vicente da Beira. Daqui até ao destino, todo o trajeto se desenrola no interior da Paisagem Protegida Regional da Serra da Gardunha. Ainda em sentido ascendente, passa no Casal da Serra e logo depois alcança a Casa da Floresta e passa junto ao Marco Geodésico Baldeira (909 m) antes da descida ziguezagueante até Castelo Novo.

Fauna e Flora

_PIÓDÃO_ Nas encostas, viradas a sul, da Serra do Açor podemos encontrar, nas maiores altitudes, o medronheiro e os matos de urze. No outono surgem diversas espécies de cogumelos interessantes entre as quais destacamos a Amanita muscaria. O rio Zêzere domina a paisagem neste local e propicia a presença da alvéola-branca e até da garça-real. Junto ao Piódão estamos em plena Serra do Açor. Aqui as formações arbustivas dominam a paisagem surgindo dispersos alguns aglomerados de castanheiros. Poderemos encontrar a raposa ou até a geneta. Já junto às localidades encontramos as culturas, as árvores e os prados em socalcos. Ainda nas zonas de maior altitude, com coberto vegetal rasteiro, encontramo-nos no território de caça predileto da águia-de-asa-redonda e do tartaranhão-caçador. _S. JORGE DA BEIRA_ A barreira geográfica das serras do Açor e da Cebola controla os ventos húmidos de ocidente, levando a que o clima local tenha características continentais e mediterrânicas. Verões quentes, invernos frios e secos. No coberto florestal predomina o pinhal, mas, apesar disso, os elementos da original representação florística ainda estão presentes. A azinheira e o sobreiro formam pequenos núcleos, a par com uma associação de matos, de onde sobressaem o Medronheiro (Arbutus unedo), a Carqueja (Pterospartum tridentatum) e as urzes (Erica spp.). Associada ao Medronheiro, ocorre aqui uma das maiores e mais vistosas borboletas da fauna portuguesa, a Borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius). Nesta densa vegetação arbustiva esconde-se a Toutinegra-do-mato (Sylvia undata), ao passo que a Lagartixa-do-mato (Psammodromos algirus) procura um lugar ao sol. _BOGAS DE CIMA_ O território onde se enquadra Bogas de Cima apresenta um relevo montanhoso de solos xistosos e onde predominam as matas de Pinheiro-bravo. Nas vertentes mais soalheiras ainda vão subsistindo alguns exemplares de Medronheiro e Azinheira. Nos vales, o solo continua a ser ocupado por uma agricultura de subsistência, onde se destaca a cultura da Oliveira, disposta em socalcos. O ribeiro das Bogas, afluente do Zêzere, é o principal curso de água que passa junto à aldeia. Para além do seu aproveitamento para rega, foi também usado para fazer funcionar o antigo lagar de azeite e as inúmeras azenhas dispostas ao longo do seu itinerário. A natural galeria de amieiros e salgueiros, que ocupam as margens da ribeira, abriga aves próprias deste habitat, como a Toutinegra-de-barrete-preto, o Rouxinol-bravo e a Alvéola-cinzenta, bem como a esquiva Lontra. _PARTIDA_ É no vale da ribeira da Partida e outros análogos, nas imediações das povoações, que a humidade e a fertilidade do solo permitem a instalação de culturas agrícolas mais exigentes, como o olival, fruteiras diversas (laranjeiras) e plantas hortícolas. Estes espaços, que ainda albergam vegetação ribeirinha autóctone (amieiros e salgueiros), são um reduto de biodiversidade e quebram a continuidade das áreas florestais nas encostas declivosas adjacentes, maioritariamente ocupadas por Pinheiro-bravo e Eucalipto. No coberto arbóreo também surge, por vezes, o Sobreiro e no arbustivo destaca-se o Medronheiro, a Esteva, a Torga, o Lentisco e a Carqueja. O Corvo, o Pica-pau-verde e o Chapim-carvoeiro fazem parte da avifauna da região. _CASTELO NOVO_ Na planície sobranceira a esta aldeia, perto de Atalaia do Campo, encontramos um mosaico de aproveitamento agrícola dominado pelo olival, mas com manchas de culturas de sequeiro e até com carvalhais. Junto à ribeira de Alpreade surge o amieiro, o salgueiro e o freixo e, apesar da forte presença humana, ocorrem aves como o pardal-montês, o trigueirão ou o cartaxo-comum. Com a aproximação à “concha” serrana, onde se abriga Castelo Novo, encontramos um microclima que possibilita culturas frutícolas, nomeadamente citrinos. Junto à aldeia podemos observar o rabirruivo-preto ou o melro-azul. Esta região está integrada no Geopark Naturtejo pelas curiosas formações geológicas que aqui existem. É também importante salientar a ocorrência da Asphodelus bento-rainhae, uma planta que é um endemismo exclusivo da encosta norte da Serra da Gardunha.